terça-feira, 23 de setembro de 2008

"O Amante", Marguerite Duras


"A partir do momento em que somos vistos, não podemos olhar. Olhar é ter um movimento de curiosidade para, por, é descer. Nenhuma pessoa olhada vale o olhar sobre ela. É sempre desonroso."

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"E depois dissera-lho. Dissera-lhe que era como dantes, que ainda a amava, que nunca poderia deixar de a amar, que a amaria até à morte."

"O Amante", Marguerite Duras


A verdade é que acontece... e não queria que me olhasses nunca mais... Assim como não queria voltar a ver, para sempre, a tua cara... porque sempre fui muito mais valiosa do que qualquer um dos teus olhares...

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E era a mais pura da verdade... sem saber... sem pensar, sem sequer pressentir, continuava a amá-lo... como sempre, como dantes, até à morte.

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Sem ser um must read é, sem dúvida, um bom livro. Tocante e impressionante. Actual. Porque há famílias assim, porque há relações assim, porque há pessoas e amores que nunca se esquecem. Um enfoque bastante real e cruel, escrito com mãos de fada, sobre a vida de uma rapariga na Indochina. Fantástica a descrição das relações familiares e do cruéis que estas podem ser.